Churros ganham nova roupagem e viram febre


Tem sentido aquele cheirinho de canela, doce de leite e açúcar no ar? Pois é, as churrerias pediram licença para iogurterias, temaquerias e hamburguerias e ganharam terreno no estado. Da Barra da Tijuca a Niterói, passando por Copacabana, quem fica com a boca cheia de água só de pensar no doce quentinho, que costumava ser vendido apenas em carrocinhas nas ruas, agora encontra lugares charmosos para apreciar o sabor de infância.

– Sou viciada, comia muito churros na carrocinha quando era criança. Mas o problema é a higiene, não sabemos como elas são limpas e armazenadas. Comprando numa loja, me sinto mais segura – conta a professora Ana Beatriz Normando, logo após pedir uma porção de churros na Mordidela, em Copacabana.

A casa oferece versões em miniatura do doce, do tamanho de um ovo de codorna, com recheio de doce de leite ou chocolate. A caixinha com 15 unidades, fritas na hora e servidas com um palitinho para espetar, sai a R$ 4. Já a porção com 40 custa R$ 9,90.

– Oferecemos uma forma mais moderna e de fácil manuseio do churros. É bom que o cliente não se lambuza – destaca Guilherme Tavares, sócio da loja, inaugurada em março.

Há quem diga que a receita de churros foi levada à Europa, proveniente da China, por navegadores portugueses. Mas a maioria dos estudiosos em culinária credita a invenção a pastores espanhóis. A massa – uma mistura de leite, manteiga, farinha de trigo, açúcar e canela – era fácil de fazer e poderia ser frita em fogo aberto nas montanhas, onde eles viviam.

O cheiro de bom negócio foi logo farejado pelos comerciantes que, em 1894, abriram a chocolateria San Ginés, em Madri, até hoje uma pedida irresistível para quem está na capital espanhola. Aqui no Rio, a iguaria ganhou fama nos anos 1980, a bordo de um ônibus vermelho e branco, estacionado na Praça do Ó, na Barra. E, quando se foi, na década seguinte, deixou vários órfãos do churros del Uruguay.

– Eu me lembro até hoje do gosto, quentinho. Andava uns 20 minutos de casa até a praça e voltava de ônibus. Valia muito a pena – lembra o músico Luís Felipe Parada.

Agora, uma opção é pegar a barca ou a ponte para chegar a Niterói e experimentar versões turbinadas de churros. A Loucos Por Churros, no Plaza Shopping, oferece opções do doce recheado com cobertura de Nutella com castanha, chocolate branco com paçoca e até de banana com granola. Não vale pedir desculpas para a balança depois.

No BarraShopping, o quiosque Los Churritos também serve o doce de uma forma diferente: dois canudinhos e uma das seis opções de recheio (como o clássico doce de leite ou o arrojado brigadeiro com biscoito Oreo) num copinho à parte, a R$ 10, ou quatro canudinhos e “molho”, a R$ 13.

– Temos outros quatro carrinhos, que levamos para eventos fechados. Num fim de semana, costumamos fazer quatro festas (por R$ 1.500, servindo cem pessoas). Nos eventos, damos ao cliente 23 opções de “molho”. Um dos mais populares é o de caipirinha, que leva brigadeiro branco, cachaça e suco de limão – conta Diego Fonseca, que abriu o negócio após uma viagem à Espanha.

Também foi numa passagem por terras espanholas que o empresário Fernando Kaplan, sócio da rede Venga!, teve a ideia de incluir churros no cardápio de seu bar de tapas. E ele conta que a sobremesa é a mais apreciada: por mês, são cerca de mil pedidos em suas quatro casas.

– É um dos nossos carros-chefes, nosso terceiro item mais vendido – afirma Fernando, que serve churros do jeito clássico espanhol, com calda de chocolate numa xícara à parte, para mergulhar os canudinhos. – Passamos a oferecer o doce de leite por pressão dos clientes.

A modinha é tão grande que o churros ganhou uma roupagem gourmet, servida em festas: bolinhas de brigadeiro com canela e recheio de doce de leite. A doceira Fabiana D’Angelo conta que, num mês, chega a fornecer dez mil brigadeiros de churros, que já é o terceiro item mais pedido (perde apenas para os tradicionais brigadeiro e casadinho). Louzier Lessa, da Louzieh Doces, também investiu na versão docinho do quitute:

– O churros tradicional tem uma característica que nunca me agradou muito, que é a fritura. O brigadeiro cumpre o papel à altura. Só de cheirar você já lembra do churros. É uma mistura muita gostosa.

Fonte: Pequenas Empresas Grandes Negócios

 

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