Seja sincero. Boa parte da vida
você aprendeu que devemos dar mais valor à razão do que à emoção. O ideal é
saber separar a vida pessoal da profissional. E também sempre lhe disseram que
os sentimentos deviam ser controlados e expressados de forma cuidadosa. Assim
como eu, você já deve ter sentido uma enorme alegria em um dia qualquer, mas
sei lá, é meio chato ficar demonstrando isso no trabalho, especialmente se o
ambiente for meio sisudo, concorda? Então, logo por meio dessa introdução você
e eu já quase concordamos que o negócio é deixar as emoções e os sentimentos de
lado e focar naquilo que realmente interessa, certo?
Errado, muito errado na visão dos
autores David R. Caruso e Peter Salovey, ambos da Yale University. Na obra
“Liderando com Inteligência Emocional”, publicada pela editora M. Books, os
professores afirmam que as emoções são fontes de dados e absolutamente
necessárias para a tomada de boas decisões. Elas são também fatores
determinantes de sucesso na condução da sua carreira.
O livro expõe um esquema
emocional fácil de usar e dividido em quatro etapas:
1. Identificando as próprias
emoções e as alheias;
2. Utilizando as emoções no
dia-a-dia e na solução de problemas;
3. Compreendendo as emoções para
descobrir suas causas e formas de melhorar sua atuação no futuro;
4. Administrando as emoções, ou
seja, aprender a usar os sentimentos a nosso favor nas mais variadas situações
e inclusive a modificá-las de acordo com a ocasião.
O livro traz embasamento
científico e vários exercícios. Também está longe de ser confundido com um
manual de auto-ajuda. Observe a seguir como aquelas emoções que consideramos
negativas, podem ser na verdade benéficas, desde que bem utilizadas.
A ansiedade sempre foi vista como um grande
causador de stress e até de doenças. Na verdade, ansiedade em demasia faz muito
mal à saúde. Contudo, na dose certa ela nos obriga a buscar novas decisões,
analisar outros rumos e nos mantém alertas. O problema maior com a ansiedade é
que o seu excesso gera preocupação em demasia e a sensação de que as coisas
nunca chegam a um ponto ideal, consumindo grande parte de energia. Porém, a sua
falta torna a pessoa totalmente relapsa. A ansiedade é um sentimento que não
deve ser relegado a um segundo plano, mas controlado.
A famosa raiva é outro
sentimento que queremos evitar a todo custo. Mas você já percebeu que a raiva
normalmente surge diante das situações em que a injustiça predomina? A raiva é
fundamental para detectarmos ações que não estão certas, ou que ferem os
valores de uma boa convivência. Não querer sentir raiva de algo ou de alguém é
como ir contra a própria natureza humana. A raiva ajuda a combater uma ameaça
percebida e nos dá energia para corrigir uma situação injusta. Agora, sentir raiva
e usá-la para uma situação positiva é uma coisa totalmente diferente de
tornar-se uma pessoa raivosa que explode por qualquer coisa. Ninguém gosta de
trabalhar com pessoas raivosas e descontroladas e nesse caso, é necessária a
ajuda de um profissional.
O bom humor e o otimismo, todo mundo sabe,
ajudam a enxergar com novos olhos situações que a princípio apresentam-se
negativas, a enfrentar diversidades e a superar problemas. Mas esses dois
amiguinhos, quando em excesso, nos tornam dispersivos, deixam-nos fora da
realidade, utópicos e até mesmo tiram nosso foco em determinadas situações. Não
dá para ficar de bom humor quando um projeto está com o cronograma todo
atrasado. O bom humor excessivo nos torna desatentos aos detalhes, fazendo-nos
imaginar que tudo está bem, quando na verdade não está. Por outro lado, o bom
humor e o otimismo são características fundamentais para a carreira de vendas,
por exemplo.
Como vimos, podemos ficar o dia inteiro
dissecando e conversando sobre os mais variados sentimentos como: medo,
confiança, felicidade, tristeza, surpresa, depressão, entre tantos outros. O
importante é aprender que todos eles podem ser maléficos ou benéficos de acordo
como são utilizados. O segredo, segundo os autores, é “ajustar o seu estilo de
pensamento à emoção”. É preciso aprender a relacionar os sentimentos às
circunstâncias que vivenciamos.
Ignorar os próprios sentimentos e
as emoções alheias pode ser a fonte das más decisões, por isso analisar as
circunstâncias em que surgem é fundamental. É claro que devemos aliar razão e
emoção. A atitude analítica é fundamental na tomada de decisões, mas podemos
começar a partir de agora a exterminar de vez o preconceito em relação aos
sentimentos no trabalho. As emoções, na verdade, são grandes oportunidades para
que se possa extrair o melhor de cada pessoa, aliando o sentimento ao momento e
assim aumentar as chances de sucesso e a motivação de uma equipe.
Por Paulo Araújo
Paulo Araújo - palestrante e escritor. Autor de Motivação - Hoje e Sempre (editora Qualitymark), entre outros livros. Tel – (41) 3267 6761 – Curitiba - PR
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