Imagine que você está num processo de seleção e o entrevistador solta
esta: “Em nossa empresa os funcionários têm de vestir a camisa, se
possível tatuar a marca da empresa. Queremos compromisso irrestrito com
nossos valores! Você topa?” E, então, o que você faz? Promete vestir a
camisa até as últimas conseqüências? CUIDADO! Na grande maioria das
vezes, para subir na escada corporativa, uma das regras básicas é
QUEBRAR AS REGRAS E REDEFINIR OS VALORES! A lógica é simples: fazer o
mesmo e o esperado poderá levá-lo à competência; fazer a diferença, o
não esperado, o outrora proibido, multiplicará sua chance de alcançar a
excelência e a notoriedade. Não há nenhum problema em você vestir a
camisa de valores da empresa, desde que você tenha a sua própria por
baixo. Ou seja, deixando a camisa de valores da empresa colar em você,
é provável que você se transforme num clone dela, pronto a repetir ou
perpetuar o já estabelecido. É possível que assim, contribuindo com
idéias e ações balizadas somente pelos valores já existentes, você seja
co-responsável pela EVOLUÇÃO da empresa. Mas, certamente, jamais será o
protagonista de sua REVOLUÇÃO, jamais estará no foco da ação. Essa
tarefa cabe aos atores que ousam rebelar-se contra o pensamento
vigente, que rompem com o status quo. É lógico que você precisa ser
sábio para mostrar sua camisa na hora e da forma certa.
Não foi respeitando cegamente todas as regras e valores da
espartana e politicamente incorreta Marinha norte-americana dos anos 50
que Carl Brashear se tornou o primeiro negro americano a entrar na
divisão de mergulhadores e o primeiro negro Comandante-Chefe daquela
arma. Só chegou lá por perseguir obstinadamente seus objetivos, mas
balizado também nos valores que cria. Está tudo registrado no filme
“Homens de Honra”. Sim, é verdade que Carl poderia ter se dado mal, ser
chutado para fora. E em sua jornada de sucesso teve de enfrentar
prisão, humilhações, e tribunal (até porque se não tiver tribunal não é
filme americano). Mas correr riscos é uma realidade inevitável para
quem deseja ir além. Por isso poucos chegam lá.
Hunter (Patch) Adams poderia ter sido mais um pacato e
respeitado médico no hospital da Escola de Medicina da Virgínia, EUA.
Mas não se conformou com essa idéia, muito menos com os valores que
norteavam a conduta de atendimento aos pacientes daquela instituição.
Quebrou as regras, redefiniu alguns valores e foi aclamado, de pé, por
sua turma de graduação e por seus pacientes como um herói. Também virou
filme. Nas organizações brasileiras existem inúmeros Brashear´s e
Adam´s, infelizmente não retratados pelo cinema nacional.
Se você quiser, pode usar mil e uma desculpas para provar que
em seu caso é impossível vestir e fazer valer sua própria camisa, que
na sua empresa a cultura é outra, que seu chefe é um tirano, blá, blá,
blá... Mas, a verdade é uma só: se você quiser brilhar e entrar para o
hall da fama, ou você com obstinação muda a empresa, ou muda de
empresa, antes que ela rasgue sua camisa.